Será que a corrida pode virar um vício?

Foto Ilustrativa

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A corrida estimula no corpo reações fisiológicas e hormonais que provocam essa sensação de dependência depois de certo tempo de prática. Isso não acontece da noite para o dia, portanto, iniciantes devem ter paciência, regularidade e consistência nos treinos. Em dois ou três meses, seu organismo começa a sentir falta da corrida só de ficar sem correr num dia de treino.
Sensação de dependência é comum depois de um certo tempo de atividade. Outro dia estava pensando que já fazem mais de 30 anos que corro todas as semanas. Às vezes, com mais afinco em função de provas que me proponho a correr e em determinadas fases somente corro por correr. Por essa razão, resolvi pesquisar um pouco e tentar descobrir um fato: será que a corrida vicia?

Hormônios

A corrida estimula em nosso corpo reações fisiológicas e hormonais que provocam essa sensação de dependência depois de certo tempo de prática. Isso não acontece da noite para o dia, portanto, iniciantes devem ter paciência, regularidade e consistência nos treinos. Em dois ou três meses, seu organismo começa a sentir falta da corrida só de ficar sem correr num dia de treino.
Os hormônios responsáveis por esse processo são conhecidos como endorfina e serotonina. Eles são produzidos pelo organismo e, na corrida, ocorre maior produção, provocando aquela sensação de bem-estar e prazer pós-corrida. A serotonina está intimamente ligada aos transtornos do humor. A maioria dos medicamentos antidepressivos estimula aumento da disponibilidade dessas substâncias, o que é exatamente o que o organismo faz durante a corrida. Já a endorfina é um neuro-hormônio com ação analgésica que, ao ser liberada pelo organismo, estimula a sensação de conforto e melhora o estado de humor.
Algumas pesquisas afirmam que os efeitos da endorfina são sentidos até uma ou duas horas após a sua liberação. Como resultado de todo esse processo, quanto maior a quantidade de esforço físico, maior a liberação de endorfina, chegando a um ponto em que é preciso mais exercício para atingir a mesma sensação de bem-estar. E assim acredito que vou correndo nestes 30 anos de muitas trocas de tênis, monitores cardíacos em parques e em qualquer lugar que estiver, pois sempre vou estar com o meu tênis pronto para qualquer tipo de percurso.

Zona Alfa

Outro fator que influencia a corrida é o próprio cérebro. Existe um momento em que você sente que seu corpo e mente são capazes de correr para sempre. Uma emoção privilegiada e pernas e músculos parecem fluir sem qualquer esforço. Esse estado mental é proporcionado por ondas cerebrais que trabalham em uma frequência mais baixa e proporcionam relaxamento profundo. Assim, tudo acontece de uma forma mais agradável, conhecida pelos estudiosos como zona alfa. Vale reforçar que isso não tem nada a ver com a liberação de endorfina. Nessa fase, há um equilíbrio entre o consumo e a produção de oxigênio. Se você for um corredor com certa experiência já deve ter passado por essa sensação que nem percebemos que estamos correndo e o nosso pensamento vai longe.

Questão psicológica

Além dessas alterações físicas e fisiológicas, o vício na corrida acontece também por questões de ordem psicológica. A sensação de missão cumprida ao terminar um treino, completar um percurso ou cruzar a linha de chegada de uma prova, traz uma enorme satisfação que estimula a correr mais e mais. Há de se levar em conta, ainda, que a corrida é uma das atividades mais eficientes para emagrecer e, por isso, muitos praticantes tornam-se dependentes na tentativa de manter o peso. Nesse caso, o exercício funciona como contrapeso, uma forma de compensar os exageros à mesa. Tudo isso é potencializado se o corredor teve o seu corpo transformado pela corrida.

Cuidado

Fique atento a dois sinais em que ficar muito dependente da corrida pode prejudicar a saúde. Em primeiro lugar, observar se a corrida é tão mais importante quanto família, trabalho, amigos e vida social. Também, perceber se a dependência faz com que tenha sintomas de abstinência quando não consegue treinar, como irritabilidade, ansiedade e depressão. Nesses casos, procure orientação do seu treinador.
Assim vamos em frente, enfrentando a nossa vida de uma forma mais prazerosa, fazendo novos amigos e conhecendo novos lugares através da corrida, com um vício que hoje está controlado em provas de dez quilômetros e meias maratonas. Quem sabe mais para frente penso novamente em correr uma maratona. Bons treinos para todos!
Aulus Sellmer: Consultor Webrun da seção Dicas de Treinamento. É Bacharel em Esporte pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFEUSP) com especialização em treinamento desportivo pela USP, marketing esportivo pela UCLA Berkeley EUA e administração esportiva pela FGV-SP. Atualmente é pós graduando no curso MBA Qualidade de Vida em Gestão Corporativa pela Universidade São Camilo. Proprietário da assessoria esportiva 4any1, colaborador da Rádio Eldorado FM e Rádio Estadão AM/FM, revista Contra Relógio e Webrun 4any1.

Fonte: Portal da educação fisica

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