Atletas precisam realizar exames cardiológicos?

Foto ilustrativa

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Sabemos que a carga de exercício e de esforço físico a que um atleta profissional se submete é muito maior do que a de uma pessoa comum. Por isso, a avaliação médica deve ser mais completa, com exames que avaliem uma eventual presença de risco ou detecte alguma doença silenciosa. “O atleta pode ter uma arritmia cardíaca que, se não diagnosticada, oferece riscos maiores, como morte súbita, seja durante a prática da atividade ou não”, explica o cardiologista Bruno Valdigem, especialista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (SP).

Segundo recomendações brasileiras e interenaionais, as avaliações pré-participação determinam que o exame clínico deverá ser acompanhado de eletrocardiograma de 12 derivações, para identificar maior risco de morte súbita. As Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia determina este exame como obrigatório numa primeira consulta cardiológica.

Outros métodos de diagnóstico com maior eficácia também são importantes, como exame de screening. “De forma completa, o mais indicado é incluir anamnese, histórico familiar e pessoal, exame físico, eletrocardiograma e um Screening. Dessa forma, teremos uma avaliação muito mais detalhada”. O teste de Screening (rastreamento) é um dos mais indicados para atletas de alta performance, pois pode identificar doenças não reconhecidas ou pronunciadas anteriormente, em pacientes assintomáticos.

“Acredito que o país mais evoluído em relação ao teste de Screening pré-participação esportiva é a Itália, onde estão os maiores grupos que estudam atletas. O Brasil evoluiu muito nos últimos anos e a área de medicina esportiva ganhou vários estudiosos, entre eles cardiologistas que se dedicam às alterações cardíacas em atletas”.

Estudo

Um estudo publicado recentemente, avaliou 52.000 atletas de alta performance e demonstrou que 919 deles foram diagnosticados com arritmias cardíacas. O acompanhamento ocorreu por um período de mais de 9 anos. Nesse estudo, a arritmia mais comum detectada foi a fibrilação atrial (em 681 pacientes), seguidas por bradicardias. Arritmias extrassístoles ventriculares e supraventriculares também foram frequentes.

A intensidade da atividade física pode demonstrar uma relação com a incidência da fibrilação atrial (FA), o que pode indicar que os efeitos antiarrítmicos positivos da atividade física são parcialmente anulados, quando o exercício é muito intenso. “A intensidade do exercício e a capacidade aeróbica também estiveram relacionadas à maior probabilidade de diagnóstico de arritmias. Os atletas que correram mais, melhor e por mais tempo apresentaram mais arritmias que aqueles que praticaram as atividades de forma mais comedida”, destaca o cardiologista.

Ausência de Sintomas

Durante o esforço físico, os níveis de adrenalina e a demanda de oxigênio no miocárdio aumentam muito. Isso pode ser facilitador de arritmias cardíacas e também precipitar isquemia de coronárias (angina) ou ruptura de uma placa de gordura dentro de uma artéria coronariana, o que pode causar o infarto. “Algumas arritmias cardíacas e doenças congênitas do coração podem não ser detectadas até a idade adulta pela ausência de sintomas. Assim, o exame médico pode diagnosticar uma doença silenciosa”, diz Bruno Valdigem.

Síndrome do Coração de Atleta

O coração é um músculo e, quanto mais utilizado, aumenta de tamanho. Isso cria um berço para arritmias ventriculares e atriais que, na maioria das vezes, são benignas, e raramente sintomáticas. Segundo o cardiologista, o papel do descondicionamento (redução da prática de esportes) nos pacientes com arritmias ainda é a orientação mais frequente, ainda que procedimentos terapêuticos com ablação possam reduzir o impacto na qualidade de vida.

Por outro lado, existe a cardiopatia hipertrófica, doença que faz o músculo crescer, geralmente, de forma irregular e deformando o coração. “Nesses casos, a indicação é suspender as atividades físicas imediatamente”, orienta Dr. Bruno Valdigem.

Dr. Bruno Valdigem é doutor em cardiologia pela Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina, tem título de especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Habilitado pelo departamento de estimulação cardíaca artificial da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV) e membro atuante na Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC).

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